AS CONTRADIÇÕES DA COLABORAÇÃO INTERNACIONAL: UM ESTUDO SOBRE A PESQUISA EM ENERGIA NO BRASIL E NA ARGENTINA
Palavras-chave:
Internacionalização da ciência, Pesquisa energética, Centro-periferia, Valores científicos, Colaboração internacionalResumo
Este estudo analisa as contradições inerentes ao processo de internacionalização da ciência, focando nas estratégias de colaboração de grupos de pesquisa vinculados ao CENPES (Petrobras, Brasil) e ao Y-TEC (YPF, Argentina). Utilizando métodos qualitativos, incluindo entrevistas semiestruturadas e análise de conteúdo, investigamos como pesquisadores navegam tensões significativas entre objetivos nacionais e internacionais, bem como entre produção científica e tecnológica. Os resultados revelam a operação de um "regime de administração da irrelevância" que estrutura profundamente as práticas de pesquisa e estratégias de internacionalização. Este regime se ancora em constrangimentos reais — internalização de percepções de inferioridade, acesso diferencial a periódicos de alto impacto, práticas institucionais de avaliação — afetando escolhas de temas de pesquisa, estratégias de publicação e concepções de relevância científica. Observamos uma preferência predominante por publicações em periódicos internacionais de língua inglesa e adaptação de agendas de pesquisa aos interesses globais. No entanto, os dados revelam que pesquisadores desenvolvem estratégias variadas para lidar com essas pressões: alguns elegem objetos técnicos que facilitam internacionalização; outros investem em analogias que preservam relevância local; ainda outros fazem escolhas deliberadas de priorizar agendas nacionais. Questões de propriedade intelectual e transferência de tecnologia emergem como pontos de tensão genuínos, refletindo preocupações históricas legítimas sobre como conhecimento local pode ser capturado em arranjos cooperativos. Concluímos que a cooperação científica internacional funciona de forma contraditória: abre oportunidades genuínas de avanço e reconhecimento, mas contém uma inclinação estrutural em direção a desequilíbrios. O peso relativo desses dois movimentos varia segundo contextos e escolhas individuais, sugerindo possibilidades para formas alternativas de parceria que reconheçam assimetrias sem aceitá-las como inevitáveis.
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