Materializando evidências paralelas:
narrativas sobre corpo, saúde e doença nas redes sociais
DOI:
https://doi.org/10.67937/30861128.2025.16Palavras-chave:
evidências paralelas, medicina baseada em evidências, gênero e ciência, redes sociais, corpo e saúdeResumo
Nas últimas décadas, nota-se a conformação de um certo tipo de associativismo digital, centrado em questões relacionados ao corpo e à saúde, que se caracteriza pela publicização de testemunhos relativos às experiências corporais-subjetivas. A conjunção dessas narrativas, só possível no contexto das redes sociais, revela um grande volume de informações e uma densidade no detalhamento das trajetórias de vida. Esses relatos se constituem em contraste àquilo que é admitido pela medicina oficial, apregoada nas instituições, normativas e publicações reconhecidas. Sugiro que se trata de um fenômeno múltiplo e variado, com contornos pouco definidos, mas que, de maneira experimental, poderia ser reconhecido como um processo de produção de “evidências paralelas”. Este conceito dialoga com a discussão acerca das controvérsias em torno da Medicina Baseada em Evidências (MBE). E é compreendido como efeito de uma rede heterogênea de elementos, dentre os quais se destacam as tecnologias biomédicas e de comunicação via as redes sociais. A perspectiva teórica deste trabalho tem inspiração em autoras feministas que analisam ciência e tecnologia por meio da abordagem centrada no materialismo relacional e nos processos de materialização.
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