EDITORIAL
Palavras-chave:
Revista científica, CTS, Tecnologia, sociedadeResumo
No presente momento, marcado por intensos debates eleitorais em nosso país, percebemos uma presença forte de discussões CTS, relacionadas a temas como soberania tecnológica, transição energética, crise climática e transformações no mundo do trabalho. Não é possível entender a inserção do Brasil e, em geral, da América Latina, no mundo atual sem incorporar as pautas e as controvérsias analisadas dentro do campo CTS. As desigualdades no acesso à inovação e a concentração de poder nas grandes plataformas digitais evidenciam a continuidade de estruturas históricas de desigualdade e hierarquias no sistema global.
No Brasil, a produção do conhecimento no campo, desde sua origem, tem como marca a defesa da indissociabilidade entre os problemas sociais e as estratégias nacionais de fomento à produção científica e ao avanço tecnológico. No âmbito dos processos de avaliação dos programas de pós-graduação realizados pela CAPES, cresce a necessidade de se pensar o impacto social das atividades científicas, que é também um tema caro aos estudos CTS.
Nesse sentido, em junho deste ano teremos as XVI Jornadas ESOCITE, da Associação Latinoamericana, que ocorrerá em Bogotá/Colômbia, prometendo solidificar ainda mais os Estudos CTS no continente. Acreditamos que em tal contexto a Revista Brasileira de Estudos CTS tem um importante papel intelectual e político a desempenhar: divulgar pesquisas e reflexões em uma área cada vez mais estratégica para os projetos políticos em disputa no país.
Dando continuidade às atividades iniciadas em 2025 e apresentadas no evento de Belém, trazemos aqui o segundo número da Revista Brasileira de Estudos CTS. Desde o seu lançamento, a Revista já vem obtendo conquistas. Tivemos nossa indexação aprovada no Miguilim e no Diadorim, ambos do IBICT, no final do ano passado com classificação Diamante. E mais recentemente fomos aceitos também no LATINDEX, um importante indexador latino-americano.
Se na primeira edição da Revista nós publicamos artigos de autores convidados, no número atual inauguramos o trabalho com um fluxo de artigos recebidos e avaliados por nossos pareceristas dentro do padrão double blind. Consideramos muito satisfatório o número e a qualidade do material recebido. Foi possível ajustar o nosso trabalho de recebimento e avaliações dos artigos de forma coerente e atenta à periodicidade da Revista. É claro que esse é um contínuo trabalho de aprendizado e ajustes, e a equipe da Revista tem se esforçado para tanto. Queremos agradecer muito os pesquisadores e pesquisadoras que dedicaram seu tempo a emitir pareceres para a Revista. Sem isso é impossível dar densidade científica ao nosso periódico e ao nosso campo.
Neste número trazemos 7 artigos, produzidos por autores de diferentes regiões do Brasil e com diferentes temáticas do campo CTS. Fabrício Neves, da UnB/Brasília, apresenta análise sobre a colaboração científica internacional de grupos de pesquisa e inovação na área energética em nosso continente. O artigo de Gerson Camargo e Wanda Aparecida Machado Hoffmann, da UFSCar/SP, trata das implicações sociais e científicas da integração entre drones e IA. Lígia Amoroso Galbiati, da Unicamp/SP, discute a transição energética em comunidades isoladas, e o papel das políticas públicas e dos arranjos sociais nas infraestruturas energéticas. Adriana Alves Rodrigues e Cidoval Sousa, da UEPB/PB, tratam de estratégias digitais de divulgação científica de atividades de extensão universitária, à partir do caso da UEPB. Ednéia Silva Santos Rocha (USP/SP) e Cristina de Campos (Unicamp/SP) analisam a filantropia científica financiada no Brasil pela Fundação Rockfeller. Gabriel Coelho e Jalcione Almeida (UFRGS/RS) se propõem a discutir como a questão ambiental se tornou um tema cientificamente relevante nos programas de pós-graduação brasileiros, especialmente naqueles inter ou multidisciplinares. Sebastião Rodrigues-Moura, Ana Cristina Pimentel Carneiro de Almeida e Leomir Lorenzetti (UFPA/PA) apresentam uma reflexão densa sobre as relações entre o pensamento crítico criativo e educação CTS no ensino de ciências, uma área cada vez mais relevante no nosso campo.
Em suma, todas as 5 regiões do país estão presentes, contribuindo com temáticas diversificadas, apresentando o campo CTS como um espaço estratégico para a construção de uma leitura crítica da realidade. Queremos manter essa diversidade regional e temática, e avançar na publicação também de autores internacionais. Isso só será possível com a participação de todas as pessoas que acreditam na importância do campo CTS.
Por fim, queremos fazer alguns agradecimentos. Fernando Camargo como Editor-Executivo e Igor Bento como Editor-Gerente trabalharam muito para viabilizar esse número e devemos muito a eles.
Ao comitê editorial da Revista, Júlia Guivant, Flora Rodrigues Gonçalves e Adriano Premebida, nosso obrigado.
Agradecemos também a Direção da ESOCITE.BR, que tem nos dado todo apoio e autonomia para que possamos avançar no trabalho da Revista.
E seguimos juntos nessa aventura CTS. Boa leitura!
Daniela Alves
Thales Haddad Novaes de Andrade
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